quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Into theWild"

Oh Canada!
Em primeiro lugar queria deixar bem claro que o meu fim-de-semana só acabou hoje, e portanto ainda estou dentro do prazo prometido. É que ontem foi dia de trabalho intenso (sim, aqui trabalha-se) a adicionar ao facto de o tempo passar a correr... já lá vão dois meses!!





 Posto isto já posso entrar no tema do post de hoje.
Até quem nunca viu o filme "Into the Wild" sabe do que falo, pois, tendo em conta a tradução que se faz deste título, é fácil compreender a experiência que vivi  há uns dias atrás .
  
A verdade é que fui fazer Hiking. Para os menos informados esta é uma actividade ao ar livre, que consiste basicamente, em longas caminhadas que têm lugar na Natureza Selvagem.
E foi exactamente com esta ideia em perspectiva que o nosso grupo de estudantes de intercâmbio partiu em direcção ao Parc de la rivière Doncaster.

Começámos por subir ao cume da montanha, se bem percebi esta encontra-se apenas a 300 metros do nível médio das águas do mar, o que faz dela, uma montanhazinha.
Ao chegar ao topo, a vista era de tirar a respiração, um vale enorme deparava-se à nossa frente. O cenário era completamente Hollywoodesco. Uma floresta repleta de árvores em início de Outono com uma palete de cores admirável compunham a pintura.
Quem nunca viu o MacGyver inventar uma das suas milhentas artimanhas numa floresta como esta? quem nunca viu os programas da BBC sobre ursos pardos nas suas paisagens paradisíacas? ou até mesmo, para os mais românticos, aqueles filmes de Hollywood em que uma paisagem composta por verdes, laranjas, vermelhos, amarelos, surge numa cena ao entardecer? (deixo o resto à imaginação de cada um).

Mas um lado selvagem acabaria por ser desvendado ao percorrer os diversos trilhos que compõem este parque natural. Visto que a chuva caiu intensamente nos dias que antecederam a nossa visita, o chão encontrava-se húmido, bem à medida das minhas botas, e o rio com um caudal completamente selvagem, percorria o seu caminho até um local em que uma aparente acalmia dominava, um local que nos indicava que o tempo de regressar tinha chegado, que aquele trilho tinha ali o seu final...

Todo o cenário era propício a um espírito aventureiro, o qual rapidamente adoptei mas sempre com a ponderação que me é típica perante situações mais arriscadas. Isto significa, portanto, que não andei armado em MacGyver, significa, isso sim, que a vontade de explorar o meio ambiente que me rodeava se apoderou de mim, uma vontade interior e incontrolável de percorrer caminhos fora dos trilhos previamente traçados.

Aliada a esta sensação uma outra, diria que indissociável, surgiu: liberdade. O facto de estar num espaço completamente "Wild", no seu estado puro, fez-me sentir livre de tudo aquilo que temos que seguir no nosso dia-a-dia, livre de preocupações, de trabalhos, de obrigações, de deveres, até de direitos!
Foi um dia em que só  fiz uma única coisa, desfrutar ao máximo aquilo que a Natureza tem para nos dar!

Mas como tudo o que é bom teve um fim... o inevitável regresso à realidade deu-se assim que entrei no autocarro, por várias razões: em parte porque aqui os autocarros devem ter sido pensados para anões, na medida em que não há espaço para as pernas; mas sobretudo, porque a sensação de liberdade foi imediatamente interrompida pelo espaço confinado que o próprio autocarro cria.

E assim terminou esta minha experiência "Into the Wild", por agora é tudo.
Canadiando até ao próximo post!
THE REAL CANADA...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Post de um verdadeiro emigrante!

Há coisas que não param de me surpreender, uma delas é, como não podia deixar de ser, o meu Benfica!
Atenção, não pretendo fazer deste blog um espaço de discussão futebolística, posso até garantir que o orgulho que tenho em ser português chegou quase ao nível do orgulho que sinto em ser benfiquistas, algo que, como várias pessoas podem comprovar, não acontece muito frequentemente.
O Benfica não é um clube, não é uma instituição, não é um país, não é uma religião; é, isso sim, o conglomerar destes quatro conceitos num só, é a criação de um novo conceito, ao qual vou dar o nome de BENFICA (assim mesmo, escrito com maiúsculas que é para não haver confusões).

Por esta altura, já só benfiquistas continuam a ler o post, e portanto, para os resistentes a questão que salta à ribalta é: Mas o que é que este rapaz anda a tomar em Montréal para vir com esta conversa (que apesar de habitual em Portugal está um bocado fora do contexto no que à vida no Canadá diz respeito)?

Como todos devem saber Montréal tem uma grande comunidade portuguesa, e portanto é fácil reaproximarmo-nos do nosso país por estas bandas.
E a verdade é que as únicas substâncias que alteram o comportamento que tomei sem restrições e fazem parte dos aclamados "comportamentos de risco" (quem teve Moral, sabe o que são) foram ingeridas num espaço muito especial, A Casa Do Benfica De Montréal. É um espaço tipicamente benfiquista, frequentado na sua maioria por portugueses, sim porque já começam a surgir segundas gerações compostas por canadianos orgulhosamente benfiquistas.




Ninguém sabe receber tão bem como um português. É um facto do qual todos nos orgulhamos e que todos tentamos cumprir ao máximo, e nesses campo os benfiquistas são especialistas, não é à toa que o espaço se chama CASA, e foi assim que fui recebido, como se estivesse em casa.

Quando lá fui a primeira vez (ver o jogo com o Guimarães) parecia que lá ia desde pequenino. Como ainda não conhecia bem a cidade não sabia bem o que fazer para chegar a casa depois do jogo, perguntei a uma pessoa com quem vi a bola como fazer. Chama-se Jorge Lopes, depressa começou a trocar impressões com outras pessoas que por lá estavam e depois de muita discussão resolveu a situação da melhor maneira, pelo menos para mim, levou-me a casa... Trocámos números e fui imediatamente convidado para ir lá almoçar antes dos jogos!
No jogo com o Sporting não estava na cidade e portanto só apareci no jogo com o Marítimo. Nesse dia fui com um amigo meu finlandês (o Victor) ver o jogo. Chegámos tarde demais para almoçar, mas não se preocupem, um benfiquista tem sempre uma solução para bem receber outro benfiquista, pagaram-me, a mim e ao Victor, umas cervejas e ainda nos ofereceram um prato cheio de bolos e um cachecol da Casa a cada um. E mais, a cerveja, que por aqui tem fraca qualidade, era nada mais nada menos que a bela da Sagres!!!

Já no passado fim-de-semana houve jogo contra o Braga e como tal também houve almoçarada a anteceder o mesmo! Desta vez fiz questão de chegar a tempo, peguei na "minha" bicicleta e lá fui eu. Foi provavelmente o melhor almoço que tive oportunidade de de comer por estas bandas (nunca esquecendo a excelente comida dos Tam), uma bela sopa, salmão como prato principal e um bolo óptimo para a sobremesa, acompanhado por Cerveja Sagres e Vinho Borba. Total da conta? Zero!!!

Victor Smeds
Não é por tanto de estranhar o meu orgulho neste espaço. Muitos dizem que Real Madrid, Barcelona, Milan, Inter, Manchester United, ect. são os maiores clubes do mundo, e não desminto. Mas BENFICA (não esquecer o conceito em cima criado) só há um, o Benfica e mais nenhum!

PS: prometo escrever um post ainda este fim-de-semana que interesse a um público mais abrangente.
"Canadiando" (semelhante a caminhando) até ao próximo post!!