Ao decidir vir fazer intercâmbio numa cidade distante o primeiro sentimento que me veio à cabeça foi o de entusiasmo e vontade em conhecer esta nova cultura. Agora, já com um mês de aulas decorrido a novidade começa rapidamente a transformar-se em rotina, o imprevisível em óbvio, o desconhecido em familiar.
É um processo normal de adaptação que traz consigo um novo conjunto de coisas novas e fora do ambiente a que chamo habitualmente de "normal". Estas novidades não são apesar disto "anormais" são só novidades, pelo menos para mim.
Tarefas como lavar a roupa, cozinhar, lavar a loiça, etc., passaram a fazer parte do meu dia-a-dia, e nesse sentido esta é também uma nova experiência.
Como devem imaginar sempre andei mal habituado, mas é bom saberem, antes de me julgarem, que nem toda a gente tem uma AIDA. Para quem a conhece sabe bem do que falo, uma mulher de armas que recentemente foi avó! e por isso deixo aqui os meus parabéns, e que me trata como um filho. Os seus cozinhados passaram a ser divindades quando comparados com as amostras de comida que faço.
Uma coisa é certa, tinha de começar por algum lado, e Montréal deu-me a oportunidade de começar, de me tornar mais independente, de conseguir pelo menos ter a noção que sei o mínimo para sobreviver.
Para os mais curiosos devo dizer sem qualquer modéstia que o meu arroz branco (cozinhado dificílimo de fazer como todos sabem) é bastante bom, e a minha melhor receita é sem dúvida Peito de Frango com Parmesão e Cebola, o que é um excelente indicador dos meus dotes culinários. É verdade, nunca me peçam para cozinhar bolonhesa, acho que foi a pior que alguma vez provei.
No que a lavar a roupa diz respeito ainda não houve percalços, mas há algo que ainda só fiz uma vez e que tudo farei para não voltar a repetir: passar a ferro, é simplesmente detestável e se há alguém que goste está desde já convidado a vir aqui passar uma jornada com comida e dormida incluído.
Porém, há outras coisas que indicam um estado de integração cada vez maior, o saber o nome das ruas, que autocarro apanhar (sendo que estas coisas nem em Lisboa sei...), onde ir e quando, já para não falar da tão aclamada rotina. A minha só tem três dias (é verdade! aqueles que andam aí a trabalhar no duro roam-se de inveja, só tenho aulas terça, quarta e quinta) mas não é por isso que deixa de ser menos rotina, a necessidade de cumprir um horário a isso obriga. E um dado extremamente importante entra agora em campo, a prática física de desporto.
As primeiras semanas foram de loucos. Festas, jantares e actividades de todo o tipo mal davam tempo para dormir quanto mais para praticar desporto. Neste momento é diferente, pela primeira vez tive TEMPO, tempo de ir nadar sem preocupações, de andar de bicicleta (bicicleta essa emprestada pela Helena e pelo Bruno, uma verdadeira relíquia que tenho a oportunidade de passear pelas ruas quase sem inclinação de Montréal) e ainda de visitar museus, enfim, conhecer melhor a cidade e como nela viver. No que à esgrima diz respeito a sua prática não é a mais acessível para um estudante de intercâmbio, dado o preço e os horários que apresentam, como tal o bichinho começa a crescer e certamente que mal chegue a Portugal tenho de matar saudades.
Com o início das aulas também os trabalhos de grupo e as avaliações começaram a aparecer. Já fiz uma apresentação que correu pelo melhor e tenho mais três trabalhos para as mais variadas cadeiras. Aos alunos que decidiram ter Montréal como seu próximo destino, tenho o prazer de informar que aqui há tempo para tudo, todas as cadeiras têm pelo menos um trabalho de grupo para além dos habituais intermédios e exames, mas é perfeitamente aceitável visto que o seu grau de complexidade não é nada por aí além, quem fez finanças sabe o que é complexo...
As novidades ficam por aqui dado que o post já está a ficar grandinho.
Para o próximo vou tentar pôr uns vídeos para conhecerem a faculdade e a casa onde vivo!
Até ao próximo post! ou I'll Be Back (by Filipe)
PS: Malta tenho de confessar que ando a ficar frustrado pela falta de comentários e de feedback, por isso ponham mãos à obra e escrevam-me qualquer coisa, sobretudo preciso de uma boa catch frase antes de voltar para Portugal!
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Quebecois' Top 5
Como todos sabem, o Canadá (e ainda mais a região do Quebéc) é um país à parte, nem norte americano, nem europeu. É esta a razão pela qual Montréal é vista por muitos como sendo a cidade que congrega o melhor dos EUA e da Europa num único espaço.
Porém, depois de um mês de convivência com os Quebecois consegui desvendar alguns comportamentos claramente típicos:
Porém, depois de um mês de convivência com os Quebecois consegui desvendar alguns comportamentos claramente típicos:
- Adoram carimbos e pulseiras: onde quer que vamos, bar, discoteca, spa, parque aquático, restaurantes, etc., há sempre que utilizar uma destas duas possibilidades (quando não temos de usar ambas). Se neste último mês não tivesse tomado banho os meus braços já não se viam, tal é a catadupa de tinta e papel/plástico com que me presenteiam;
- Adoram filas: esperar é um dos hobbies favoritos de um canadiano que se prese, não interessa qual o objectivo da espera, aquilo com realmente se preocupam é o tempo que esta demora, e quanto mais melhor. Para já isto é só chato, mas pressinto que quando estiverem -20ºC o sentimento vai ser outro;
- Conseguem estar um dia inteiro sem comer e sem falar em comida: parece impossível mas é verdade, os seus horários não contemplam qualquer tipo de preocupação no que a comer diz respeito, e são leais a esta ideologia, jamais ouvi um canadiano a dizer que tinha fome, por aqui isso é coisa de europeu, de estrangeiro, de gente estranha. Pensando bem, se calhar funcionam como os ursos polares, comem no verão que é para no Inverno estarem preparados para o frio, se for este o caso, é desta que desapareço de vez;
- Adoram Poutine: para além de não comerem têm uma estranha aptidão para comer má comida, por aqui o "Poutine" existe em todo lado, já vos falei disto, basicamente são batatas fritas (se possível queimadas) com queijo e um molho terrível por cima, supostamente é o prato mais importante do Quebéc, o que demonstra bem como é a gastronomia por cá;
- O uso do bengaleiro é obrigatório: ainda não fui a nenhuma discoteca em que não me obrigassem a pôr o casaco no bengaleiro, mesmo quando é uma simples camisola, à partida isto não é um problema, mas estamos num mundo capitalista e portanto os serviços pagam-se; é um raciocínio idêntico ao dos voluntários à força.
Acho que dá para perceber qual é qual!
Temos então completo o top 5 comportamental do típico Quebecois, assim que souber de algo novo passo a informação. Até ao próximo post!
PS: esta "catch frase" é muito fraquinha, aceitam-se sugestões.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Resumo da Welcoming Week
Visto que já passaram cerca de duas semanas de aulas e o blog se está a atrasar no espaço temporal, achei por bem apresentar um resumo daquilo que se passou na semana de acolhimento. Caso contrário, e se seguir o mote do post sobre dia 19, só lá para o fim do mês é que tinham a descrição completa daquilo que se passou nesta "semana" que durou 11 dias.
O dia 20 começou bem cedo, depois de no dia anterior termos ido ao Pub St Sulpice, levantámo-nos bem cedo, de forma a chegar À faculdade por volta das 10 para as 8. Não vale muito a pena perder tempo com este dia, visto que foi mais para conhecer a faculdade (que vos vou mostrar assim que tirar fotografias fizer videos) e para tratar de burocracias.
Apenas há que reter um aspecto, devido ao facto de não ter conseguido arranjar logo casa a situação não era a mais fácil, contei portanto com a ajuda da família Tam, a quem deixo aqui uma palavra de enorme apreço por toda a ajuda que me deram e que ainda dão, nesta minha estadia. Acabei então por pernoitar por diversos dias em casa do Danny, um rapaz impecável que tive o prazer de conhecer ainda em Portugal, até arranjar um local fixo para ficar.
Passo então para dia 21, um dia que me surpreendeu não só a mim mas também aqueles que conhecem melhor a cidade (entenda-se os Tam). É que para este dia estava agendada uma actividade pela qual, provavelmente, nenhum de vós esperava, e que mesmo eu tive dificuldade em interiorizar. No horário constava então uma ida à... PRAIA!!! Sim também pensei o que vocês estão a pensar nesta momento, "Estes Canadianos são loucos!" (uma frase ao estilo de Obélix).
Mas a verdade é que fomos mesmo lá parar, apesar do dia estar de todo solarengo, antes pelo contrário, até houve tempo para chuviscos. De qualquer forma acabou por ser um dia bem passado, aquilo de praia tinha pouco, mas houve espaço para fazer uma futebolada, onde estiveram envolvidos todos os latinos (pudera) e ainda malta de outras nacionalidades.
Acabei a tarde num bar espanhol a ver o Barça, na companhia do meu amigo Pere e de seguida dirigi-me a casa para tomar um banho de forma a estar minimamente apresentável para o jantar que se combinou.
Finalmente, e já jantado, dirigimo-nos para a primeira discoteca que visitei em Montréal. Dava pelo nome de Ivy e pelo que percebi é recente, o Danny juntou-se à malta do Intercâmbio na disco, e foi com ele que ainda tive oportunidade de visitar outra discoteca, Radio Lounge ou qualquer coisa do género. Depois disso, que terminou às 3, hora a que fecha tudo aqui no Canadá, foi chichi, cama.
Dia 22 foi curto, de manhã dormiu-se, à tarde fomos até um bar onde pudemos experimentar uma "especialidade" canadiana, o famoso Poutine, uma bela m..., porcaria é o que é, basicamente qualquer ser humano é capaz de cozinhar aquela coisa, batatas fritas queimadas com queijo por cima e um molho tipo barbacueu, um verdadeiro nojo.
No dia seguinte foi dia livre e deu para andar pela cidade, tratar de mais uns papeis e sobretudo para tentar encontrar uma casa de jeito, para esta tarefa contei mais uma vez com a ajuda da Helena Tam, Ana Tam, e Bruno Lachance.
Passo então para dia 24, de manhã foi tempo de descanso, sim por apesar de ser vida boa o físico não aguenta tanta tareia, tantos dias seguidos, ainda por cima, até este dia o Jet Lag continuava a fazer das suas, foi então a oportunidade de acertar tudo.
À noite fomos todos jantar ao Cage Au Sport, um restaurante que se dedica única e exclusivamente ao visionamento de eventos desportivos (como o próprio nome indica) e que está colado ao estádio dos Montréal Canadiens. Aqui tivemos oportunidade de conhecer o nosso "buddy" e continuar a desenvolver contactos com as mais diversas pessoas.
Seguiu-se o mítico Café Campus, um local meio disco meio bar onde se ouve boa música e onde o alcool, de fraca qualidade diga-se, é mais barato (ainda assim com preços a roçar o exagero). No entanto é um excelente local de convívio para as terças à noite.
O dia 25 tinha para si guardado uma surpresa, a única coisa que nos era pedida era ir já com a barriga cheia. Ao chegar à faculdade, cedo se adivinhou o que se seguia, um belo de um Rally Tascas à boa moda portuguesa, mas só para ser mais chic os canadianos resolveram chamar-lhe Pub Crawl. Resumindo e concluindo, foi uma noite de pouca vergonha, não houve uma única pessoa a sair intacta desta noite, que acabou numa discoteca que por milagre ninguém sabe onde é nem como se chama.
É caso para dizer que foi um dia verdadeiramente misterioso, jogaram-se jogos de beber e foi a noite em que pude execeder-me um bocado, já que foi tudo grátis, e como bom português toda a gente sabe que se é grátis é para agarrar o máximo que se pode.
Na quinta, dia 26, fomos visitar o estádio olímpico, onde tivemos a oportunidade de subir à torre e ter uma vista privilegiada sobre a cidade.
Em seguida fomos até ao jardim botânico, um espaço extremamente bem preservado e com diversos tipos de jardins, entre eles, contam-se o chinês e o japonês, os dois que contavam com o maior grau de simbolismo e mística, foi a oportunidade de visitar duas civilizações bem distantes e de ficar a saber um pouco mais sobre elas.
E, claro está, o dia não podia terminar sem mais uma festa, desta feita a mesma deu-se no Salon L'Oréal, dentro da universidade. E se há coisa que os canadianos precisam de aprender connosco é a organizar arraiais, o espaço é bom e eles dispõem do material necessário para fazerem uma bela festa, mas a organização não é a melhor, os preços são altos e a música não é nada de especial, já para não falar da comida que peca em quantidade, qualidade e preço, enfim, um aspecto a melhorar.
Dia 27 acabou por ser também um dia marcado pela burocracia, mas à noite a história foi diferente, fomos ao Deux Pierrot, um bar bar cheio de vida com música ao vivo. O tempo aí passado foi de alta qualidade, o espaço estava ao barrote e o ambiente era incrivel.
Foi uma noite diferente das outras, pois eu e o Victor (um finlandês) resolvemos ir para um local onde não estava ninguém do grupo. Sentámos-nos numa mesa onde saboreámos uma bela cerveja, seguiram-se vários episódios engraçados e acabámos por conhecer uns quebécoises que por lá andavam, com quem passámos o resto da noite, no fim da noite o Nuno (o outro tuga) e o Bernhard (austríaco) juntaram-se. Os quatro formamos um belo grupo que sabe sempre como se divertir e estar bem acompanhado.
É verdade, quase me esquecia, foi neste dia de manhã que, com a ajuda do Bruno, me mudei finalmente para a minha casa. Vivo num apartamento que partilho com mais 4 pessoas (1 francês, 1 francesa, 1 espanhol, 1 tunisino), o meu quarto é pequeno mas acolhedor e sinto que estou bem instalado e acompanhado. Isto porque no piso de cima e no piso de baixo vivem mais 12 estudantes, quase todos meus colegas na HEC e todos não canadianos como eu. O prédio está portanto por nossa conta e não é difícil arranjar companhia para o mais diversos programas que surgem ao longo do dia. Somos no total 8 rapazes e 9 raparigas, o que, não vou esconder, é bastante agradável.
Chegamos então ao último fim-de-semana antes do início das aulas. No sábado fomos até um local chamado Abraska (não confundir com Alaska) fazer Tree Top Jumping, uma actividade radical no topo das árvores que todos disfrutámos ao máximo. Depois de regressarmos a Montréal só houve tempo para comer qualquer coisa tomar um banho e ir até à discoteca La Mouche.
No último dia da semana de acolhimento, fomos até um parque aquático que os canadianos montam no Verão no mesmo local em que fazem ski durante o Inverno. Foi engraçado mas não conseguimos fazer várias diversões como pretendíamos, tal era a afluência. Porém o melhor do dia estava a chegar, e o quê melhor para lavar o espírito e a alma que uma ida ao spa? foi o que acabámos por fazer, e apenas posso garantir que foi bestial, voltámos para casa completamente relaxados.
E assim foi a primeira "semana" em Montréal, a escrita não é de todo a melhor mas fica aqui a promessa de fazer melhor para a próxima, qualquer erro ortográfico deve ser atribuído ao facto de agora falar inglês o dia todo, ahaha! Cumprimentos e vão lendo...
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Welcoming Week
19 de Agosto de 2010
Foi esta a data em que parti à aventura rumo às terras geladas de Montréal, uma ilha situada no Sudeste do Canadá (ou será que devo dizer Quebéc?) perto da zona dos Grandes Lagos. Desde de dia 15 que andava a ultimar os preparos de uma viagem que decorreu quase sem percalços, isto porque os Americanos (entenda-se nativos dos EUA) resolveram começar a chatear a malta originária do Resto do Mundo para passar a fronteira, mesmo que seja só para fazer escala.
Não percebo qual é a ideia, sinceramente, obrigam-me a descalçar as botas (o que não é tarefa fácil quando se tem uma fila de centenas de pessoas atrás e se está carregado de coisas) cerca de três vezes, já para não falar do computador que ligaram e desligaram num processo que levou cerca de 15 minutos a terminar, ainda assim houve um jovem nigeriano que conseguiu entrar num avião Norte-Americano com uma bomba há uns meses atrás.
No total contei uma hora e meia para passar a fronteira, claro que perdi o avião ao fazer escala em Newark e portanto cheguei 3 horas atrasado ao aeroporto de Montréal onde os infelizes da associação de estudantes da HEC (a Universidade onde estou a fazer intercâmbio) já estavam à minha espera fazia uma eternidade, fui portanto presenteado com as seguintes palavras à chegada: “Oh! You are the famous Francisco, we have been looking for you for more than 3 hours…..”, como podem imaginar não é o meu melhor cartão de visita, ainda assim, parece que houve uns chinocas infelizes que se atrasaram 7 ou 8 horas.
Parti em direcção ao Hotel Holiday Inn na companhia de 4 raparigas, duas Inglesas, uma Australiana e claro uma bonita Quebécoise; parece que ao contrário do meu, o cartão de visita dos canadianos é bastante agradável (Tio Bi e Tio Zé Araújo confere, elas são mesmo muito bonitas).
Chegados ao hotel por volta das 9 só houve tempo de pôr as malas no quarto e partir em direcção ao Pub Saint Sulpice, onde o resto das pessoas que estão a fazer intercâmbio já se encontravam a beber uns copos. Neste tipo de situações é tudo mais fácil e basta estender a mão apresentar-me esperar por uma resposta e iniciar uma conversa que tanto pode levar 2 minutos como 2 horas. A noite prolongou-se até à uma da manhã, o equivalente às 3/4 da manhã para nós, é que eles aqui saem bem mais cedo e como tal voltam mais cedo. Ainda assim esta hora veio a revelar-se tardia porque no dia seguinte tivemos que zarpar do aconchego dos lençóis às 6 da manhã pois tínhamos um encontro na faculdade por volta das 8, mas isso fica para o próximo post…
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