quinta-feira, 11 de novembro de 2010

West Coast

Já passou quase um mês desde a última vez que tive oportunidade de aqui relatar as minhas peripécias pelas terras frias da América do Norte, mas é de uma região bem mais quente que vos venho falar... USA's West Coast!

Há cerca de três semanas andava bastante atarefado com os testes intermédios, sim porque aqui também se estuda e trabalha. O sistema é um pouco diferente do utilizado pela minha universidade em Portugal, isto porque, aqui, eles são bastante mais atabalhoados na forma de organizar as datas dos mesmos.
Como todos devem saber, se houve coisa que me surpreendeu nesta universidade foi a sua organização em todos os aspectos da minha vida académica. Todos? Não, parece que afinal não em todos. No que aos intermédios diz respeito é de estranhar o acumular de testes num curto período de tempo (3 dias no meu caso). Fiz 4 no total e foi-me difícil organizar o meu estudo, uma chamada de atenção para aquilo que os exames vão ser. Apesar disso, correram bem.

Biblioteca- a minha ex-melhor amiga


Falando agora de coisas interessantes, bastou-me aguardar apenas um dia após o último intermédio para me pôr a caminho de Las Vegas, a primeira paragem da minha viagem aos "States". Viagem essa que tive oportunidade de fazer numa excelente companhia:

Cima: Candela, Jean, Isabel, Eu
Baixo: Zineb, Eva, Soledad, Maria


Dia 27 de Outubro chegámos então ao aeroporto de Las Vegas. Primeiro facto a relatar: mal saí do avião deparei-me com um sem número de slot machines, o jogo está mesmo por todo o lado naquela cidade, o que não é lá grande coisa para quem tem um orçamento apertado como eu. Posso desde já deixar a informação que não ganhei um cêntimo que fosse em Las Vegas o que, desta vez, ficou apenas a dever-se ao facto de não ter jogado, já que para além do budget a idade também não o permitia, e não à minha usual infortuna no que a jogos de sorte e azar diz respeito.



 Ainda assim foi uma cidade bastante agradável de visitar, é uma espécie de DisneyLand mais virada para os adultos, e acredito que com mais uns trocos e mais um ano no Cartão do Cidadão (tenho de me habituar a esta palavra em vez de BI) aquela é com certeza a cidade do pecado!
Visitámos todos os casinos que havia para visitar (sim porque apesar de não puder jogar posso passear livremente por lá) num passo apressado, pois o tempo escasseava, na medida em que em três dias de Tour, o primeiro foi inteiramente passado em Vegas, o segundo no Grand Canyon e o terceiro e último dia a viajar em direcção a LA.



Um dos pontos altos desta viagem teve então lugar na minha passagem por Las Vegas... a ida ao Grand Canyon! Este "não é já ali" e portanto levantámo-nos bem cedo de forma a integrar o Tour composto maioritariamente por Chinocas! (era o mais barato, claro).
Quando lá chegámos, deparámo-nos imediatamente com uma paisagem maravilhosa, planaltos imensos que se prolongam até ao Horizonte, num misto de vermelhos, castanhos e verdes. Um local verdadeiramente paradisíaco onde pude desfrutar da Natureza no seu melhor.


Seguiu-se Los Angeles, chegámos tarde e dirigimo-nos imediatamente para casa da Teresa e da Inês, duas colegas e amigas a fazer intercâmbio em LA que nos deram guarida por dois dias. Deixo aqui um agradecimento às duas pela excelente recepção a que tivemos direito e que nos proporcionou também experienciar um pouco da vida universitária de LA.

LA não é propriamente uma cidade de sonho, mas é bastante sui generis, já que  para além da suas vastidão não segue os parâmetros usuais de uma cidade, a forma como está dividida é bastante característica e não segue nenhum tipo de regra ou lógica. É uma misturada de bairros que apenas podem ser observados de carro, caso contrario torna-se impossível, pois os transportes públicos não seguem qualquer tipo de horário.

Começamos por ir ao Staples Center (estádio dos LA Lakers) para tentar arranjar bilhetes para o jogo, algo que não conseguimos nesse momento. Partimos então em direcção à Venice Beach, como o próprio nome indica é uma praia, excelente por sinal, situada numa das extremidades da cidade. Pudemos ainda visitar Hollywood, Beverly Hills, Griffith Park, El Pueblo e Chinatown.



Finalmente, e deixando o melhor para o fim, acabei por conseguir, após intensa batalha e procura, comprar bilhetes para os jogo da NBA: LA Lakers vs Golden State Warriors. Neste encontro devo salientar as inúmeras jogadas espectaculares por parte do MVP, Kobe Bryant, acompanhado de uma grande exibição do seu companheiro Pau Gasol! Uma noite espectacular para nunca mais esquecer, apimentada ainda com várias intervenções das Lakers' Girls...


Já San Francisco é uma cidade melhor pensada, e aparenta ser um excelente local para viver. O clima é quente, tem mar, praia, é portanto uma cidade mais ao estilo de Lisboa.
Na minha curta passagem por lá, tive oportunidade de assistir a um momento histórico, a equipa de Basebol, San Francisco Giants, venceu o seu primeiro World Series Championship exactamente na noite em que chegámos. Uma grande festa invadiu as ruas, mas nada que se compare à festa que houve quando o Benfica foi campeão, algo estranho tendo em conta que falamos do primeiro título! Por volta da meia noite as ruas já se encontravam desertas, e a equipa e jogadores só desfilaram dois dias depois.

Obviamente acabei por visitar os maiores ícones desta cidade:
  • a famosa Golden Gate Bridge, à qual a nossa Ponte 25 de Abril nada fica a dever;
  • a prisão de Alcatraz, que não consegui visitar por dentro;
  • o Centro Financeiro, que conta com bonitos edifícios, desde os mais modernos aos mais clássicos;
  • a Chinatown, a maior que alguma vez vi, ainda maior que a de NY.

Financial Center


San Francisco
Dia 3 de Novembro estávamos de volta a Montréal, onde a ventura continua. A próxima viagem está agendada para este fim-de-semana, Boston, here I go...
Canadiando até próximo post!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Into theWild"

Oh Canada!
Em primeiro lugar queria deixar bem claro que o meu fim-de-semana só acabou hoje, e portanto ainda estou dentro do prazo prometido. É que ontem foi dia de trabalho intenso (sim, aqui trabalha-se) a adicionar ao facto de o tempo passar a correr... já lá vão dois meses!!





 Posto isto já posso entrar no tema do post de hoje.
Até quem nunca viu o filme "Into the Wild" sabe do que falo, pois, tendo em conta a tradução que se faz deste título, é fácil compreender a experiência que vivi  há uns dias atrás .
  
A verdade é que fui fazer Hiking. Para os menos informados esta é uma actividade ao ar livre, que consiste basicamente, em longas caminhadas que têm lugar na Natureza Selvagem.
E foi exactamente com esta ideia em perspectiva que o nosso grupo de estudantes de intercâmbio partiu em direcção ao Parc de la rivière Doncaster.

Começámos por subir ao cume da montanha, se bem percebi esta encontra-se apenas a 300 metros do nível médio das águas do mar, o que faz dela, uma montanhazinha.
Ao chegar ao topo, a vista era de tirar a respiração, um vale enorme deparava-se à nossa frente. O cenário era completamente Hollywoodesco. Uma floresta repleta de árvores em início de Outono com uma palete de cores admirável compunham a pintura.
Quem nunca viu o MacGyver inventar uma das suas milhentas artimanhas numa floresta como esta? quem nunca viu os programas da BBC sobre ursos pardos nas suas paisagens paradisíacas? ou até mesmo, para os mais românticos, aqueles filmes de Hollywood em que uma paisagem composta por verdes, laranjas, vermelhos, amarelos, surge numa cena ao entardecer? (deixo o resto à imaginação de cada um).

Mas um lado selvagem acabaria por ser desvendado ao percorrer os diversos trilhos que compõem este parque natural. Visto que a chuva caiu intensamente nos dias que antecederam a nossa visita, o chão encontrava-se húmido, bem à medida das minhas botas, e o rio com um caudal completamente selvagem, percorria o seu caminho até um local em que uma aparente acalmia dominava, um local que nos indicava que o tempo de regressar tinha chegado, que aquele trilho tinha ali o seu final...

Todo o cenário era propício a um espírito aventureiro, o qual rapidamente adoptei mas sempre com a ponderação que me é típica perante situações mais arriscadas. Isto significa, portanto, que não andei armado em MacGyver, significa, isso sim, que a vontade de explorar o meio ambiente que me rodeava se apoderou de mim, uma vontade interior e incontrolável de percorrer caminhos fora dos trilhos previamente traçados.

Aliada a esta sensação uma outra, diria que indissociável, surgiu: liberdade. O facto de estar num espaço completamente "Wild", no seu estado puro, fez-me sentir livre de tudo aquilo que temos que seguir no nosso dia-a-dia, livre de preocupações, de trabalhos, de obrigações, de deveres, até de direitos!
Foi um dia em que só  fiz uma única coisa, desfrutar ao máximo aquilo que a Natureza tem para nos dar!

Mas como tudo o que é bom teve um fim... o inevitável regresso à realidade deu-se assim que entrei no autocarro, por várias razões: em parte porque aqui os autocarros devem ter sido pensados para anões, na medida em que não há espaço para as pernas; mas sobretudo, porque a sensação de liberdade foi imediatamente interrompida pelo espaço confinado que o próprio autocarro cria.

E assim terminou esta minha experiência "Into the Wild", por agora é tudo.
Canadiando até ao próximo post!
THE REAL CANADA...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Post de um verdadeiro emigrante!

Há coisas que não param de me surpreender, uma delas é, como não podia deixar de ser, o meu Benfica!
Atenção, não pretendo fazer deste blog um espaço de discussão futebolística, posso até garantir que o orgulho que tenho em ser português chegou quase ao nível do orgulho que sinto em ser benfiquistas, algo que, como várias pessoas podem comprovar, não acontece muito frequentemente.
O Benfica não é um clube, não é uma instituição, não é um país, não é uma religião; é, isso sim, o conglomerar destes quatro conceitos num só, é a criação de um novo conceito, ao qual vou dar o nome de BENFICA (assim mesmo, escrito com maiúsculas que é para não haver confusões).

Por esta altura, já só benfiquistas continuam a ler o post, e portanto, para os resistentes a questão que salta à ribalta é: Mas o que é que este rapaz anda a tomar em Montréal para vir com esta conversa (que apesar de habitual em Portugal está um bocado fora do contexto no que à vida no Canadá diz respeito)?

Como todos devem saber Montréal tem uma grande comunidade portuguesa, e portanto é fácil reaproximarmo-nos do nosso país por estas bandas.
E a verdade é que as únicas substâncias que alteram o comportamento que tomei sem restrições e fazem parte dos aclamados "comportamentos de risco" (quem teve Moral, sabe o que são) foram ingeridas num espaço muito especial, A Casa Do Benfica De Montréal. É um espaço tipicamente benfiquista, frequentado na sua maioria por portugueses, sim porque já começam a surgir segundas gerações compostas por canadianos orgulhosamente benfiquistas.




Ninguém sabe receber tão bem como um português. É um facto do qual todos nos orgulhamos e que todos tentamos cumprir ao máximo, e nesses campo os benfiquistas são especialistas, não é à toa que o espaço se chama CASA, e foi assim que fui recebido, como se estivesse em casa.

Quando lá fui a primeira vez (ver o jogo com o Guimarães) parecia que lá ia desde pequenino. Como ainda não conhecia bem a cidade não sabia bem o que fazer para chegar a casa depois do jogo, perguntei a uma pessoa com quem vi a bola como fazer. Chama-se Jorge Lopes, depressa começou a trocar impressões com outras pessoas que por lá estavam e depois de muita discussão resolveu a situação da melhor maneira, pelo menos para mim, levou-me a casa... Trocámos números e fui imediatamente convidado para ir lá almoçar antes dos jogos!
No jogo com o Sporting não estava na cidade e portanto só apareci no jogo com o Marítimo. Nesse dia fui com um amigo meu finlandês (o Victor) ver o jogo. Chegámos tarde demais para almoçar, mas não se preocupem, um benfiquista tem sempre uma solução para bem receber outro benfiquista, pagaram-me, a mim e ao Victor, umas cervejas e ainda nos ofereceram um prato cheio de bolos e um cachecol da Casa a cada um. E mais, a cerveja, que por aqui tem fraca qualidade, era nada mais nada menos que a bela da Sagres!!!

Já no passado fim-de-semana houve jogo contra o Braga e como tal também houve almoçarada a anteceder o mesmo! Desta vez fiz questão de chegar a tempo, peguei na "minha" bicicleta e lá fui eu. Foi provavelmente o melhor almoço que tive oportunidade de de comer por estas bandas (nunca esquecendo a excelente comida dos Tam), uma bela sopa, salmão como prato principal e um bolo óptimo para a sobremesa, acompanhado por Cerveja Sagres e Vinho Borba. Total da conta? Zero!!!

Victor Smeds
Não é por tanto de estranhar o meu orgulho neste espaço. Muitos dizem que Real Madrid, Barcelona, Milan, Inter, Manchester United, ect. são os maiores clubes do mundo, e não desminto. Mas BENFICA (não esquecer o conceito em cima criado) só há um, o Benfica e mais nenhum!

PS: prometo escrever um post ainda este fim-de-semana que interesse a um público mais abrangente.
"Canadiando" (semelhante a caminhando) até ao próximo post!!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Sedentarização

Ao decidir vir fazer intercâmbio numa cidade distante o primeiro sentimento que me veio à cabeça foi o de entusiasmo e vontade em conhecer esta nova cultura. Agora, já com um mês de aulas decorrido a novidade começa rapidamente a transformar-se em rotina, o imprevisível em óbvio, o desconhecido em familiar.
É um processo normal de adaptação que traz consigo um novo conjunto de coisas novas e fora do ambiente a que chamo habitualmente de "normal". Estas novidades não são apesar disto "anormais" são só novidades, pelo menos para mim.

Tarefas como lavar a roupa, cozinhar, lavar a loiça, etc., passaram a fazer parte do meu dia-a-dia, e nesse sentido esta é também uma nova experiência.
Como devem imaginar sempre andei mal habituado, mas é bom saberem, antes de me julgarem, que nem toda a gente tem uma AIDA. Para quem a conhece sabe bem do que falo, uma mulher de armas que recentemente foi avó! e por isso deixo aqui os meus parabéns, e que me trata como um filho. Os seus cozinhados passaram a ser divindades quando comparados com as amostras de comida que faço.

Uma coisa é certa, tinha de começar por algum lado, e Montréal deu-me a oportunidade de começar, de me tornar mais independente, de conseguir pelo menos ter a noção que sei o mínimo para sobreviver.
Para os mais curiosos devo dizer sem qualquer modéstia que o meu arroz branco (cozinhado dificílimo de fazer como todos sabem) é bastante bom, e a minha melhor receita é sem dúvida Peito de Frango com Parmesão e Cebola, o que é um excelente indicador dos meus dotes culinários. É verdade, nunca me peçam para cozinhar bolonhesa, acho que foi a pior que alguma vez provei.

No que a lavar a roupa diz respeito ainda não houve percalços, mas há algo que ainda só fiz uma vez e que tudo farei para não voltar a repetir: passar a ferro, é simplesmente detestável e se há alguém que goste está desde já convidado a vir aqui passar uma jornada com comida e dormida incluído.

Porém, há outras coisas que indicam um estado de integração cada  vez maior, o saber o nome das ruas, que autocarro apanhar (sendo que estas coisas nem em Lisboa sei...), onde ir e quando, já para não falar da tão aclamada rotina. A minha só tem três dias (é verdade! aqueles que andam aí a trabalhar no duro roam-se de inveja, só tenho aulas terça, quarta e quinta) mas não é por isso que deixa de ser menos rotina, a necessidade de cumprir um horário a isso obriga. E um dado extremamente importante entra agora em campo, a prática física de desporto.

As primeiras semanas foram de loucos. Festas, jantares e actividades de todo o tipo mal davam tempo para dormir quanto mais para praticar desporto. Neste momento é diferente, pela primeira vez tive TEMPO, tempo de ir nadar sem preocupações, de andar de bicicleta (bicicleta essa emprestada pela Helena e pelo Bruno, uma verdadeira relíquia que tenho a oportunidade de passear pelas ruas quase sem inclinação de Montréal) e ainda de visitar museus, enfim, conhecer melhor a cidade e como nela viver. No que à esgrima diz respeito a sua prática não é a mais acessível para um estudante de intercâmbio, dado o preço e os horários que apresentam, como tal o bichinho começa a crescer e certamente que mal chegue a Portugal tenho de matar saudades.

Com o início das aulas também os trabalhos de grupo e as avaliações começaram a aparecer. Já fiz uma apresentação que correu pelo melhor e tenho mais três trabalhos para as mais variadas cadeiras. Aos alunos que decidiram ter Montréal como seu próximo destino, tenho o prazer de informar que aqui há tempo para tudo, todas as cadeiras têm pelo menos um trabalho de grupo para além dos habituais intermédios e exames, mas é perfeitamente aceitável visto que o seu grau de complexidade não é nada por aí além, quem fez finanças sabe o que é complexo...

As novidades ficam por aqui dado que o post já está a ficar grandinho.
Para o próximo vou tentar pôr uns vídeos para conhecerem a faculdade e a casa onde vivo!
Até ao próximo post! ou I'll Be Back (by Filipe)

PS: Malta tenho de confessar que ando a ficar frustrado pela falta de comentários e de feedback, por isso ponham mãos à obra e escrevam-me qualquer coisa, sobretudo preciso de uma boa catch frase antes de voltar para Portugal!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Quebecois' Top 5

Como todos sabem, o Canadá (e ainda mais a região do Quebéc) é um país à parte, nem norte americano, nem europeu. É esta a razão pela qual Montréal é vista por muitos como sendo a cidade que congrega o melhor dos EUA e da Europa num único espaço.
Porém, depois de um mês de convivência com os Quebecois consegui desvendar alguns comportamentos claramente típicos: 
    1. Adoram carimbos e pulseiras: onde quer  que vamos, bar, discoteca, spa, parque aquático, restaurantes, etc., há sempre que utilizar uma destas duas possibilidades (quando não temos de usar ambas). Se neste último mês não tivesse tomado banho os meus braços já não se viam, tal é a catadupa de tinta e papel/plástico com que me presenteiam; 
    2. Adoram filas: esperar é um dos hobbies favoritos de um canadiano que se prese, não interessa qual o objectivo da espera, aquilo com realmente se preocupam é o tempo que esta demora, e quanto mais melhor. Para já isto é só chato, mas pressinto que quando estiverem -20ºC o sentimento vai ser outro; 
    3. Conseguem estar um dia inteiro sem comer e sem falar em comida: parece impossível mas é verdade, os seus horários não contemplam qualquer tipo de preocupação no que a comer diz respeito, e são leais a esta ideologia, jamais ouvi um canadiano a dizer que tinha fome, por aqui isso é coisa de europeu, de estrangeiro, de gente estranha. Pensando bem, se calhar funcionam como os ursos polares, comem no verão que é para no Inverno estarem preparados para o frio, se for este o caso, é desta que desapareço de vez;
    4. Adoram Poutine: para além de não comerem têm uma estranha aptidão para comer má comida, por aqui o "Poutine" existe em todo lado, já vos falei disto, basicamente são batatas fritas (se possível queimadas) com queijo e um molho terrível por cima, supostamente é o prato mais importante do Quebéc, o que demonstra bem como é a gastronomia por cá;
    5. O uso do bengaleiro é obrigatório: ainda não fui a nenhuma discoteca em que não me obrigassem a pôr o casaco no bengaleiro, mesmo quando é uma simples camisola, à partida isto não é um problema, mas estamos num mundo capitalista e portanto os serviços pagam-se; é um raciocínio idêntico ao dos voluntários à força.
    Acho que dá para perceber qual é qual!
    Temos então completo o top 5 comportamental do típico Quebecois, assim que souber de algo novo passo a informação. Até ao próximo post!
    PS: esta "catch frase" é muito fraquinha, aceitam-se sugestões.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Resumo da Welcoming Week

Visto que já passaram cerca de duas semanas de aulas e o blog se está a atrasar no espaço temporal, achei por bem apresentar um resumo daquilo que se passou na semana de acolhimento. Caso contrário, e se seguir o mote do post sobre dia 19, só lá para o fim do mês é que tinham a descrição completa daquilo que se passou nesta "semana" que durou 11 dias.

O dia 20 começou bem cedo, depois de no dia anterior termos ido ao Pub St Sulpice, levantámo-nos bem cedo, de forma a chegar À faculdade por volta das 10 para as 8. Não vale muito a pena perder tempo com este dia, visto que foi mais para conhecer a faculdade (que vos vou mostrar assim que tirar fotografias  fizer videos) e para tratar de burocracias.
Apenas há que reter um aspecto, devido ao facto de não ter conseguido arranjar logo casa a situação não era a mais fácil, contei portanto com a ajuda da família Tam, a quem deixo aqui uma palavra de enorme apreço por toda a ajuda que me deram e que ainda dão, nesta minha estadia. Acabei então por pernoitar por diversos dias em casa do Danny, um rapaz impecável que tive o prazer de conhecer ainda em Portugal, até arranjar um local fixo para ficar.

Passo então para dia 21, um dia que me surpreendeu não só a mim mas também aqueles que conhecem melhor a cidade (entenda-se os Tam). É que para este dia estava agendada uma actividade pela qual, provavelmente, nenhum de vós esperava, e que mesmo eu tive dificuldade em interiorizar. No horário constava então uma ida à... PRAIA!!! Sim também pensei o que vocês estão a pensar nesta momento, "Estes Canadianos são loucos!" (uma frase ao estilo de Obélix).
Mas a verdade é que fomos mesmo lá parar, apesar do dia estar de todo solarengo, antes pelo contrário, até houve tempo para chuviscos. De qualquer forma acabou por ser um dia bem passado, aquilo de praia tinha pouco, mas houve espaço para fazer uma futebolada, onde estiveram envolvidos todos os latinos (pudera) e ainda malta de outras nacionalidades.
Acabei a tarde num bar espanhol a ver o Barça, na companhia do meu amigo Pere e de seguida dirigi-me a casa para tomar um banho de forma a estar minimamente apresentável para o jantar que se combinou.
Finalmente, e já jantado, dirigimo-nos para a primeira discoteca que visitei em Montréal. Dava pelo nome de Ivy e pelo que percebi é recente, o Danny juntou-se à malta do Intercâmbio  na disco, e foi com ele que ainda tive oportunidade de visitar outra discoteca, Radio Lounge ou qualquer coisa do género. Depois disso, que terminou às 3, hora a que fecha tudo aqui no Canadá, foi chichi, cama.

Dia 22 foi curto, de manhã dormiu-se, à tarde fomos até um bar onde pudemos experimentar uma "especialidade" canadiana, o famoso Poutine, uma bela m..., porcaria é o que é, basicamente qualquer ser humano é capaz de cozinhar aquela coisa, batatas fritas queimadas com queijo por cima e um molho tipo barbacueu, um verdadeiro nojo.

No dia seguinte foi dia livre e deu para andar pela cidade, tratar de mais uns papeis e sobretudo para tentar encontrar uma casa de jeito, para esta tarefa contei mais uma vez com a ajuda da Helena Tam, Ana Tam, e Bruno Lachance.

Passo então para dia 24, de manhã foi tempo de descanso, sim por apesar de ser vida boa o físico não aguenta tanta tareia, tantos dias seguidos, ainda por cima, até este dia o Jet Lag continuava a fazer das suas, foi então a oportunidade de acertar tudo.
À noite fomos todos jantar ao Cage Au Sport, um restaurante que se dedica única e exclusivamente ao visionamento de eventos desportivos (como o próprio nome indica) e que está colado ao estádio dos Montréal Canadiens. Aqui tivemos oportunidade de conhecer o nosso "buddy" e continuar a desenvolver contactos com as mais diversas pessoas.
Seguiu-se o mítico Café Campus, um local meio disco meio bar onde se ouve boa música e onde o alcool, de fraca qualidade diga-se, é mais barato (ainda assim com preços a roçar o exagero). No entanto é um excelente local de convívio para as terças à noite.


O dia 25 tinha para si guardado uma surpresa, a única coisa que nos era pedida era ir já com a barriga cheia. Ao chegar à faculdade, cedo se adivinhou o que se seguia, um belo de um Rally Tascas à boa moda portuguesa, mas só para ser mais chic os canadianos resolveram chamar-lhe Pub Crawl. Resumindo e concluindo, foi uma noite de pouca vergonha, não houve uma única pessoa a sair intacta desta noite, que acabou numa discoteca que por milagre ninguém sabe onde é nem como se chama.
É caso para dizer que foi um dia verdadeiramente misterioso, jogaram-se jogos de beber e foi a noite em que pude execeder-me um bocado, já que foi tudo grátis, e como bom português toda a gente sabe que se é grátis é para agarrar o máximo que se pode.

Na quinta, dia 26, fomos visitar o estádio olímpico, onde tivemos a oportunidade de subir à torre e ter uma vista privilegiada sobre a cidade.
Em seguida fomos até ao jardim botânico, um espaço extremamente bem preservado e com diversos tipos de jardins, entre eles, contam-se o chinês e o japonês, os dois que contavam com o maior grau de simbolismo e mística, foi a oportunidade de visitar duas civilizações bem distantes e de ficar a saber um pouco mais sobre elas.
E, claro está, o dia não podia terminar sem mais uma festa, desta feita a mesma deu-se no Salon L'Oréal, dentro da universidade. E se há coisa que os canadianos precisam de aprender connosco é a organizar arraiais, o espaço é bom e eles dispõem do material necessário para fazerem uma bela festa, mas a organização não é a melhor, os preços são altos e a música não é nada de especial, já para não falar da comida que peca em quantidade, qualidade e preço, enfim, um aspecto a melhorar.

Dia 27 acabou por ser também um dia marcado pela burocracia, mas à noite a história foi diferente, fomos ao Deux Pierrot, um bar bar cheio de vida com música ao vivo. O tempo aí passado foi de alta qualidade, o espaço estava ao barrote e o ambiente era incrivel.
Foi uma noite diferente das outras, pois eu e o Victor (um finlandês) resolvemos ir para um local onde não estava ninguém do grupo. Sentámos-nos numa mesa onde saboreámos uma bela cerveja, seguiram-se vários episódios engraçados e acabámos por conhecer uns quebécoises que por lá andavam, com quem passámos o resto da noite, no fim da noite o Nuno (o outro tuga) e o Bernhard (austríaco) juntaram-se. Os quatro formamos um belo grupo que sabe sempre como se divertir e estar bem acompanhado.

É verdade, quase me esquecia, foi neste dia de manhã que, com a ajuda do Bruno, me mudei finalmente para a minha casa. Vivo num apartamento que partilho com mais 4 pessoas (1 francês, 1 francesa, 1 espanhol, 1 tunisino), o meu quarto é pequeno mas acolhedor e sinto que estou bem instalado e acompanhado. Isto porque no piso de cima e no piso de baixo vivem mais 12 estudantes, quase todos meus colegas na HEC e todos não canadianos como eu. O prédio está portanto por nossa conta e não é difícil arranjar companhia para o mais diversos programas que surgem ao longo do dia. Somos no total 8 rapazes e 9 raparigas, o que, não vou esconder, é bastante agradável.

Chegamos então ao último fim-de-semana antes do início das aulas. No sábado fomos até um local chamado Abraska (não confundir com Alaska) fazer Tree Top Jumping, uma actividade radical no topo das árvores que todos disfrutámos ao máximo. Depois de regressarmos a Montréal só houve tempo para comer qualquer coisa tomar um banho e ir até à discoteca La Mouche.

No último dia da semana de acolhimento, fomos até um parque aquático que os canadianos montam no Verão no mesmo local em que fazem ski durante o Inverno. Foi engraçado mas não conseguimos fazer várias diversões como pretendíamos, tal era a afluência. Porém o melhor do dia estava a chegar, e o quê melhor para lavar o espírito e a alma que uma ida ao spa? foi o que acabámos por fazer, e apenas posso garantir que foi bestial, voltámos para casa completamente relaxados.

E assim foi a primeira "semana" em Montréal, a escrita não é de todo a melhor mas fica aqui a promessa de fazer melhor para a próxima, qualquer erro ortográfico deve ser atribuído ao facto de agora falar inglês o dia todo, ahaha! Cumprimentos e vão lendo...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Welcoming Week

19 de Agosto de 2010

Foi esta a data em que parti à aventura rumo às terras geladas de Montréal, uma ilha situada no Sudeste do Canadá (ou será que devo dizer Quebéc?) perto da zona dos Grandes Lagos. Desde de dia 15 que andava a ultimar os preparos de uma viagem que decorreu quase sem percalços, isto porque os Americanos (entenda-se nativos dos EUA) resolveram começar a chatear a malta originária do Resto do Mundo para passar a fronteira, mesmo que seja só para fazer escala.
Não percebo qual é a ideia, sinceramente, obrigam-me a descalçar as botas (o que não é tarefa fácil quando se tem uma fila de centenas de pessoas atrás e se está carregado de coisas) cerca de três vezes, já para não falar do computador que ligaram e desligaram num processo que levou cerca de 15 minutos a terminar, ainda assim houve um jovem nigeriano que conseguiu entrar num avião Norte-Americano com uma bomba há uns meses atrás.
No total contei uma hora e meia para passar a fronteira, claro que perdi o avião ao fazer escala em Newark e portanto cheguei 3 horas atrasado ao aeroporto de Montréal onde os infelizes da associação de estudantes da HEC (a Universidade onde estou a fazer intercâmbio) já estavam à minha espera fazia uma eternidade, fui portanto presenteado com as seguintes palavras à chegada: “Oh! You are the famous Francisco, we have been looking for you for more than 3 hours…..”, como podem imaginar não é o meu melhor cartão de visita, ainda assim, parece que houve uns chinocas infelizes que se atrasaram 7 ou 8 horas.
Parti em direcção ao Hotel Holiday Inn na companhia de 4 raparigas, duas Inglesas, uma Australiana e claro uma bonita Quebécoise; parece que ao contrário do meu, o cartão de visita dos canadianos é bastante agradável (Tio Bi e Tio Zé Araújo confere, elas são mesmo muito bonitas).
Chegados ao hotel por volta das 9 só houve tempo de pôr as malas no quarto e partir em direcção ao Pub Saint Sulpice, onde o resto das pessoas que estão a fazer intercâmbio já se encontravam a beber uns copos. Neste tipo de situações é tudo mais fácil e basta estender a mão apresentar-me esperar por uma resposta e iniciar uma conversa que tanto pode levar 2 minutos como 2 horas. A noite prolongou-se até à uma da manhã, o equivalente às 3/4 da manhã para nós, é que eles aqui saem bem mais cedo e como tal voltam mais cedo. Ainda assim esta hora veio a revelar-se tardia porque no dia seguinte tivemos que zarpar do aconchego dos lençóis às 6 da manhã pois tínhamos um encontro na faculdade por volta das 8, mas isso fica para o próximo post…

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Montréal- A Odisseia

Este é o primeiro post de muitos que se vão seguir. Preparem-se! Aconcheguem-se nos vossos sofás, cadeiras, "poltronas", e qualquer outro utensílio que vos permita observar e apreciar o melhor blog do ano (ainda melhor que o teu Afonso- http://afonsogomesdasilva.blogs.sapo.pt/ ) no maior dos confortos. Se estiverem mesmo à vontade irão sentir um turbilhão de sentimentos e emoções tal, que o vosso lado metafísico se irá juntar a mim nesta experiência pelas terras frias do Canadá.
Tamanha transformação só vos será favorável, na medida em que, enquanto eu estiver aqui a rachar de frio vocês poderão desfrutar de um belo chá, chocolate quente ou até mesmo botija (que tanta falta me vai fazer) ao mesmo tempo que passeiam pelas Rues, Avenues e Côte's de Montréal na minha companhia.
Já os meus pais estão a sentir não apenas uma transformação metafísica mas também a mais física das transformações... o esvaziar dos bolsos, queria portanto, deixar-lhes aqui uma palavra de apreço pois sem eles nada disto seria possível, e julgo ser de bom grado da vossa parte que também o façam, caso contrário não teriam a oportunidade de beber estas enriquecedoras e sábias palavras.
Porém chega de me auto-vangloriar, não espero que retirem daqui todos os fantásticos adjectivos com que me classifiquei, mas única e exclusivamente uma simples ideia:

TUDO A LER O BLOG!


PS: Ainda não há fotografias à La Cluny porque ainda não tenho câmara mas têm umas boas amostras do que se anda a passar por cá no facebook. Já em relação ao próximo post, que será brevemente publicado, irei resumir a Welcoming Week, que foi, e passo a expressão: do Camandro!